“Alegrem- se sempre no Senhor. Novamente direi: Alegrem-se!” (Fp 4:4)

A salvação é uma benção tão maravilhosa que o que quer que passemos, sempre teremos razão para nos alegrar. Billy Bray (1794-1868), sentia que a alegria da salvação era tão grande que deveria ser expressa, ele dizia: “Às vezes eu danço. Por que não deveria dançar como Davi? Davi, você diria era um rei; bem, louvado seja Deus! Eu sou um filho do Rei! Eu tenho o mesmo direito que teve Davi. Louvado seja Deus! Às vezes eu fico muito contente, minha alma se enche de glória e então eu danço também.”

Paulo declarou: “Na verdade todos os que querem viver uma vida piedosa em Cristo Jesus sofrerão perseguições.” (2 Tm 3:12)

Uma das coisas mais interessantes no relato do Novo Testamento é que o sofrimento dificilmente é mencionado sem estar acompanhado da menção “às bênçãos do sofrimento”. O autor encontrou dezoito lugares diferentes no Novo Testamento onde sofrimento e alegria estão juntos.

“Pois a alegria do Senhor é a nossa força.” (Ne 8:10)

David Sitton disse certa vez: “A alegria do Senhor é a vossa força. Quando a alegria se vai, a força também se vai.”

“Provai e vede que o Senhor é bom. Bem-aventurado o homem que nele se refugia.”(Sl 34:8). A alegria do Senhor tem como base algumas grandes verdades que sustentam a nossa vida:

  • Nós cremos em Deus.
  • Nós cremos que ele nos ama e que em amor ele entregou seu Filho para que morresse por nós.
  • Nós cremos que ele nos tornou seus filhos, que cuida de nós e é por nós e que, portanto, ninguém será contra nós.
  • Ele vive em nós, afastando nossa solidão.
  • Ele transforma as coisas ruins que acontecem conosco em coisas boas.
  • Ele nos ama e esse amor supera qualquer crueldade que possamos experimentar na vida; ele é capaz de nos confortar e nos curar quando somos feridos.
  • Ele preparou para nós uma herança, que receberemos após esta vida, e que é mais maravilhosa do que qualquer coisa que possamos imaginar.

Amor é a palavra de nosso vocabulário que mais retrata essa felicidade.

Davi assim descreve: “Tu me farás conhecer o caminho da vida; na tua presença há plenitude de alegria; à tua direita há eterno prazer.”(Sl 16:11)

As pessoas mais felizes do mundo não são aquelas que não têm problemas, são aquelas que não tem medo de enfrentá-los.

Deus nos dá a verdadeira libertação. Ele nos liberta da escravidão do medo. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”(Jo 8:32) e Ele continua dizendo: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8:36)

A alegria do Senhor é mais profunda, mais confiável e mais satisfatória do que os prazeres que as pessoas buscam longe da presença de Deus.

Sundar Singh disse certa vez: “Sem Cristo, eu sou como um peixe fora d’água; com Cristo eu me encontro em um oceano de amor.”

Sem a alegria do Senhor, nenhuma forma de prazer se sustenta. O prazer acaba pouco tempo depois que a experiência tiver terminado.

Os cristãos não precisam negar a dor. Em algum momento de suas vidas, todos os cristãos experimentam a dor, o desânimo, a tristeza, a raiva pelas coisas erradas e os infortúnios que os afetam. De nada adianta negar esses sentimentos. Antes de nos alegrarmos em meio à dor frequentemente precisamos chorar, lamentar ou expressar nossa dor de alguma maneira, isto é, colocar para fora os nossos sentimentos.

Falando a seus discípulos sobre a aproximação de sua morte e ressureição, Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo que chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará. Ficareis tristes, porém a vossa tristeza se transformará em alegria.”(Jo 16:20)

Duas semanas após o Tsunami eu preguei na minha igreja da minha cidade natal, e lá introduzimos um ritual de lamento, chorando por tudo aquilo que tinha acontecido, nos identificando com o sofrimento de nosso povo e rogando a Deus para que trouxesse alívio para as pessoas. Se os rituais coletivos de lamento não fazem parte da vida de nossas comunidades, seria muito bom restaurar essa prática na igreja, pois certamente precisamos aprender como encontrar uma forma adequada de expressar nossa dor, quando estamos feridos ou sofrendo.

Paulo descreve Deus como: “Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação.”(2 Co 1:3b-4a)

Quando abrimos o coração para que Deus nos console, também nos abrimos para a cura de nossa amargura.

Em uma passagem bem conhecida que fala dessa experiência de dor e alegria, Tiago diz: “Meus irmãos, considerai motivo de grande alegria o fato de passardes por várias provações, sabendo que a prova da vossa fé produz perseverança;”(Tg 1:2-3)

Algumas vezes, antes de acreditarem que Deus trabalha para o seu bem, elas precisam experimentar o bálsamo da cura de Deus, para cicatrizar as feridas que fizeram com que encarassem a vida de uma forma negativa. Eu descobri que algumas pessoas se abrem para essa cura e encontram alívio, quando perdoam aqueles que a feriram e aceitam a verdade que o Deus soberano usará até mesmo essas feridas para seu bem.

A bíblia frequentemente se refere à perseverança ou paciência em meio a tribulações. Paulo diz: “nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz perseverança, e a perseverança, a aprovação, e a aprovação, a esperança.”(Rm 5:3-4)

Para tal perseverança precisamos ter fé e esperança. Paulo fala do “esforço motivado pelo amor e a perseverança proveniente da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 1:3, NVI).

Quando nossa fé começar a fraquejar, aprendemos a ministrar para nós mesmos, de modo que a Palavra de Deus, que é a base de nossa fé, possa nos impactar. Podemos observar isso nos Salmos 42 e 43.

Nós devemos aprender a parar de ouvir nossos pensamentos de auto piedade e começar a pregar realidades mais profundas para nós mesmos.

Davi disse: “Se eu não tivesse prazer na tua lei, teria morrido na minha angústia” (Sl 119:92)

Assim como a fé é indispensável se quisermos manter a alegria na vida cotidiana, a renúncia também é.

Se nos apegarmos a qualquer coisa na vida, mesmo que seja uma coisa boa, isso certamente irá roubar nossa alegria.

Às vezes me pergunto se as crianças que vivem em algumas casas são privadas da alegria e diversão espontâneas, algo que tem um papel tão importante para uma infância saudável, porque seus pais se interessam apenas em manter a casa sempre maravilhosamente linda e arrumada.

Como Deus conhece nossa tendência de nos apegarmos às coisas de uma maneira que não é saudável, ele nos pede que abandonemos esses ídolos, para que possamos nos libertar deles, Lc 9:23-24, Rm 12:1, 1 Co 15:31 e Gl 2:20a

Portanto, a renuncia é o meio de usufruirmos de forma mais plena da coisa mais bela que temos na vida: o nosso relacionamento com Deus.

Se pela renúncia estivermos dispostos a aceitar a possibilidade dessa partida (do nosso cônjuge) profundamente dolorosa, poderemos nos preparar para ela de maneira construtiva. A renúncia será, como esperarmos, uma afirmação de que ninguém, nem mesmo o nosso amado esposo ou esposa, ocupará o lugar de suprema importância que Deus tem em nossas vidas. E quando isso acontecer, mesmo diante da profunda tristeza da partida, poderemos nos apegar a Deus e conhecer a alegria em meio a dor, em função da sua reconfortante presença junto daqueles a quem ele ama.

Assim, mesmo que estejamos passando por um momento de dor, essa verdade nos sustenta e nos leva a perguntar: “Como Deus trará algo bom dessa situação?” Nós antecipamos seu livramento com santa expectativa. E quando percebemos o que ele fez, a nossa alegria é completa!

A palavra benção em inglês (blessing) é derivado do inglês arcaico Bledsian, termo que é relacionado à palavra sangue (blood). Ela surgiu em função do uso de sangue nos sacrifícios. Assim a benção vem através do sacrifício.

Paulo disse: “Pois, por amor de Cristo, vos foi concedido não somente crer nele, mas também sofrer por ele.”(Fl 1:29)

J.B. Lighfoot, ao comentar esse versículo, disse: “Deus concedeu a você o grande privilégio de sofrer por Cristo; esse é o maior dos sinais de que ele olha para você com favor. “

Eu também acredito que o ponto cego mais sério da teologia da igreja ocidental seja uma visão inadequada do sofrimento.

Não se ensina aos cristãos por que eles, como seguidores de Cristo, devem esperar o sofrimento e por que o sofrimento é algo tão importante para o crescimento saudável do cristão.

A “boa vida”, o conforto, a convivência e uma vida sem sofrimento, se tornou nas sociedades ocidentais, necessidades que as pessoas veem como seus direitos básicos. Se elas não têm acesso a esses direitos, acham que alguma coisa está errada. Assim, quando aparece algum inconveniente, alguma dor, as pessoas fazem todo o possível para evitá-los ou aliviá-los. Um dos resultados dessa atitude é que isso impõe uma severa restrição ao crescimento espiritual, pois Deus pretende que cresçamos por meio das tribulações.

Se os cristãos não aceitarem o sofrimento como uma circunstância da qual resultará algo de bom, quando sofrerem, acreditarão que algo de errado está acontecendo.

Outro resultado do fato de não se ter uma teologia do sofrimento apropriada é que alguns, ao experimentarem o sofrimento, podem se afastar de um chamado que lhes parece difícil, em busca de algo mais fácil.

Queres saber a atitude que uma teologia do sofrimento com bases bíblicas gera em um cristão? Leia 2 Co 6:8-10. Como mencionado anteriormente, as pessoas mais felizes do mundo não são aquelas que não experimentam qualquer tipo de sofrimento, mas sim aquelas que não temem o sofrimento.

Um evangelista chinês, que passou vários anos na prisão por causa de sua fé, disse certa vez: “Se você aceitar o sofrimento como um privilégio por causa da fé, ele se tornará seu aliado e o levará para mis perto de Cristo.”

Um pastor romeno, que também sofreu perseguição do regime comunista, disse: “Os cristãos são como prego; quanto mais bate, mais fundo eles vão.”

Se esse é o nosso desejo, estreitar nosso relacionamento com Cristo, quando sabemos que o sofrimento aprofunda esse relacionamento, o sofrimento perde seu aguilhão. Nós passamos a não mais temê-los. Em vez disso, quando ele surge, nós o transformamos numa oportunidade de alcançar aquilo que desejamos: nos aproximarmos ainda mais de Cristo.

“Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.”(1 Co 11.1)

Jesus pede para que sigamos seu exemplo, ao lavar os pés dos discípulos (Jo 13:14)

Vimos na declaração de Paulo, em Filipenses 3:10, que ele busca “a participação nos seus sofrimentos de Cristo.”

Podemos encontrar esse mesmo pensamento na conhecida passagem de Romanos 8:28-29

As provações testam a nossa fé, com a intenção de purificar.

Precisamos purificar nossas motivações, quando o Espírito se entristece, o Espírito desaparece.

Vejam o que foi dito sobre Jesus: “o qual, por causa da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da vergonha que sofreu, e está assentado à direita do trono de Deus. ” (Hb 12:2)

Dentro de nós há um senso de justiça que diz que o bem dever ser recompensado e o mal castigado. Quando testemunhamos o oposto, é correto ficarmos indignados. Mas não precisamos por isso sentir amargura, algo que destrói nossa alegria e nos torna ineficazes para a obra de Deus. Lamentavelmente muitos servos de Deus que são honestos sentem uma grande amargura por causa das injustiças que parecem ser vítimas. Isso os enfraquece física e espiritualmente. Eles devem se lembrar de que o capítulo final de suas vidas ainda não foi escrito.

Lar é um lugar para crescermos felizes.

Suportar a vergonha e desprezar a vergonha que sofreu.

Se não ensinarmos os cristãos sobre o céu, o inferno, e o juízo, não devemos ficar surpresos se apenas alguns fiéis devotados, que estejam dispostos a pagar o preço, vão emergir de nossos ministérios.

O sofrimento nos aproxima de Cristo. É a presença de Cristo em nossas vidas que nos dá coragem para continuar, a despeito da dor. Nosso Deus disse: “Nunca te deixarei, jamais te desampararei” (Hb 13:5)

A presença de Cristo em nossas vidas, quando enfrentamos a amargura, a hipocrisia, a maldade e a perseguição, é algo que ajuda a evitar que nos tornemos pessoas amarguradas. Quando olhamos para Jesus, sentimo-nos renovados, pois vemos um amor que é maior do que todo o ódio do mundo!

Por muitas vezes ouvi a afirmação de que não devemos olhar para os nossos problemas, mas fixar os olhos somente em Jesus. A luz do conforto de Deus clareia a nossa visão.

Romanos 5.5″ O amor de Deus foi derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado.”

A visão de nosso Salvador, que nos ama o suficiente para morrer por nós, afasta toda dor causada por atos cruéis. Essa solidariedade com Cristo não só nos dá forças para enfrentar os golpes que recebemos, mas também nos faz experimentar o toque de seu amor, um amor que acaba com toda nossa amargura.

Colossenses 1.24 diz: “Agora me alegro nos sofrimentos por vós e completo no meu corpo o que resta do sofrimento de Cristo, por amor do seu corpo, que é a igreja.”

Nos alegramos no sofrimento porque ele ajuda a nos aproximar de Cristo, uma vez que completa nossa experiência com o que resta do sofrimento de Cristo.

Assim, ficamos felizes porque nossos sofrimentos agem em beneficio da igreja. (2 Coríntios 4.8-11)

Testemunhar é sofrer. O sofrimento ajuda a criar situações para que o evangelho possa se difundir.

Na igreja primitiva era notório o fato de que o martírio mostrava às pessoas a grandeza do evangelho. Mas como anda o testemunho cristão nos dias de hoje? Nos dias de hoje, as pessoas logo se cansarão de viver para si mesmas, um tipo de vida que parece não ter sentido. Elas começarão a perguntar se não foram criadas para algo mais sublime e significativo. Então, ao ver que cristãos consideram seus princípios tão importantes que estariam dispostos a sofrer por eles, elas verão com outros olhos a grandeza no evangelho.

Os primeiros cristãos também foram desprezados e perseguidos em decorrência de suas atividades evangelísticas. Mas eles suportaram a perseguição com tal poder que sua resposta serviu como fator de grande atração para as pessoas.

O sofrimento traz à tona as verdadeiras questões da vida. Em meio ao sofrimento você pode ver se aquilo pelo qual uma pessoa viveu foi ou não para o seu bem.

Com o objetivo de nos salvar, Jesus disse a seus discípulos: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20:21)

Portanto, do mesmo modo que Jesus precisou se tornar como um de nós para conseguir nossa salvação, também precisaremos nos tornar como elas para lhes trazer salvação.

Paulo descreve suas tentativas de se identificar com as pessoas em 1 Coríntios 9:19-22.

Hoje as pessoas muitas vezes veem os cristãos como aqueles que se opõem às coisas erradas. E de fato devemos fazer isso, para restaurar um pouco de santidade a esse mundo em que o mal tem causado os estragos mais terríveis.

Eu oro para que o mundo possa nos ver sofrendo com dignidade, não esperneando ou protestando pela forma como estão sendo tratados, mas mostrando apenas que sofrer por nossos princípios é uma honra e uma alegria.

Para sofrer dessa maneira, temos que ver o sofrimento como algo normal para o cristianismo.

G.K. Chesterton disse: “Jesus prometeu a seus discípulos três coisas: que seriam totalmente destemidos, absurdamente felizes e estariam constantemente em dificuldades. “

Nunca devemos nos esquecer de que as pessoas sem Cristo estão perdidas eternamente. Temos que fazer tudo o que pudermos para trazê-las para Cristo. Temos sempre que nos perguntar: “Como posso me aproximar dessas pessoas? “. Temos que estar dispostos a pagar o preço para tornar isso possível.

As pessoas estão tão distantes da maneira de pensar e viver do evangelho, que não responderão de forma imediata ao nosso testemunho. Nós precisamos estar com elas, entende-las e ajuda-las a nos entender. A identificação é o caminho que abrirá as portas para um testemunho dinâmico da fé cristã.

Talvez a melhor maneira de aprofundar a fé desses cristãos superficiais seja por meio do sofrimento.

Por incrível que pareça, até mesmo Jesus teve que sofrer para que seu impacto pudesse ser mais profundo. (Hb 5:8-9). Leon Morris explica: “…foi obedecendo que Jesus aprendeu a obedecer. Há uma certa qualidade envolvida no fato de alguém realizar uma ação que lhe é exigida, uma qualidade que falta quando a pessoa simplesmente está pronta a agir. A inocência difere da virtude.”

Havia uma obediência mais profunda e um novo nível de maturidade, de aperfeiçoamento, que Ele somente alcançaria por meio do sofrimento.

A Bíblia, no entanto, declara que precisamos passar pelo sofrimento para que possamos nos tornar pessoas melhores. Nossos olhos estão voltando para o propósito de sermos grandes para Deus, de sermos usados por Deus em plenitude. Assim, temos que aceitar que o sofrimento é o caminho para grandeza.

Para Martinho Lutero, três coisas eram necessárias para se fazer uma boa teologia: oração, meditação e tribulação.

Não apenas para a vocação ministerial, mas em todo tipo de vocação, o sofrimento ajuda a trazer profundidade.

Depois de ter certo tempo de caminhada com Cristo, aprendemos a não nos surpreender com a dor e o desapontamento. Então, quando nos deparamos com uma tribulação inesperada que acreditamos não merecer, afirmamos que Deus a permitiu para que possamos nos tornar pessoas mais profundas. Com tal atitude, podemos superar a amargura que certamente iria nos abater juntamente com o desapontamento.

Devemos nos assegurar de que estamos comunicando a Palavra de Deus de uma maneira que seja:

  • Precisa
  • Persuasiva
  • Inteligível
  • Relevante
  • Atrativa
  • Memorável
  • Prática
  • Abrangente
  • Sob a unção do Espírito Santo.

Para impactar pessoas, precisamos de muito mais do que excelência técnica. Precisamos passar por frustações capazes de trazer profundidade, frustações essas que são decorrentes de um estilo de vida encarnacional, vivido entre as pessoas a quem servimos. A utilização dos nossos dons deveria brotar desse estilo de vida de cuidado para com as pessoas.

Todos os líderes que tiveram um impacto marcante na história da igreja foram pessoas que escreveram a partir de um ativo envolvimento em seu próprio ministério.

Não há escapatória: jamais conseguiremos ser eficazes no serviço a não ser que estejamos dispostos a servir.

 

NOSSO SERVIÇO PRECISA NASCER DA GRAÇA DE DEUS.

Permita-me descrever três formas de serviço que não nascem da graça e explicar como a graça pode nos ajudar a evitar tais atitudes:

  1. Ressentimento: Muitos daqueles que estão ativamente envolvidos no ministério de servir a outros lutam com o ressentimento de se sentirem explorados. Esses servos fiéis, então, sentem-se explorados e profundamente desvalorizados. O trabalho que não se ganha destaque é difícil de fazer.

Nós não merecemos a grande honra de sermos servos na obra do grande Deus dos céus.

“Então, qual é a minha recompensa? É que, pregando o evangelho, eu o faça gratuitamente, e assim não me sirva de meus direitos ao evangelho.”(1 Co 9:18)

Todo o nosso servir é fruto de uma graça superabundante. O mais importante não é o que fazemos para Deus, mas o que Deus tem feito por nós. Esse é o segredo para uma vida de alegria.

Deus tem sido tão bom para conosco que, em vez de levar em conta quanto nos custa servir, nosso foco estará em exultar as maravilhas de sua graça.

  1. Mágoas: A próxima grande razão para a infelicidade de muitos servos é a falta de sensibilidade, a truculência das pessoas.

A Bíblia é muita clara quando diz que “onde o pecado se ressaltou, a graça ficou ainda mais evidente.”(Rm 5.20)

  1. Fadiga: Umas das coisas mais comuns que afetam as pessoas que possuem esse espírito de servir é a fadiga. No entanto, se chegarmos ao ponto em que nossa energia é drenada de tal forma que não temos mais forças para servir aos outros, a situação é séria e precisa ser remediada.

Francis W. Dixon, disse: “Não há nada mais difícil do que eu levar adiante a obra de Deus dependendo de nossas próprias forças.”

O trabalho neste mundo caído jamais poderá ser uma fonte de realização.

Eu acredito que a principal fonte de estresse seja a insegurança que está por trás do trabalho duro, e não o trabalho duro por si só.

Por causa de toda essa dedicação excessiva ao trabalho, a família é negligenciada, o que leva a pessoa a ter problemas em casa com infelicidade e rejeição.

Portanto, temos sempre que nos assegurar de que haja um fluxo constante de graça em nossa vida. E nada pode nos ajudar mais nesse sentido do que dedicar tempo a Deus. Quando lemos sua Palavra e oramos, temos a maravilhosa sensação de estarmos protegidos por Deus,

Tendo experimentado tal segurança, começamos a ficar sedentos por ele. E quando sacrificamos nosso tempo de comunhão com Deus, isso nos incomoda tanto que ansiamos por esse tempo novamente, e não ficaremos satisfeitos até que essa seja saciada.

“Os que esperam no Senhor renovarão suas forças; subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; andarão e não se fatigarão.” (Is 40:31).

Uma das situações mais perigosas que um cristão pode ter que enfrentar é chegar ao ponto de perder essa sede de Deus.

Os cristãos enxergam a verdade não como algo descoberto pelo homem, mas revelado por Deus. (1 Pe 1:10-12)

A evangelização não é algo fácil no contexto de hoje. Mesmo assim, nós continuamos a evangelizar.

“…Cristo em vós a esperança da Glória.”(Cl 1:27b)

Jamais devemos perder de vista a grande riqueza que possuímos. “Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a vida? Ou, que dará o homem em troca da sua vida?” (Mt. 16:26)

Deus inverteu nosso caminho, estávamos a caminho do inferno, e ele nos colocou a caminho do céu.

Se perdermos de vista o que as grandes verdades do evangelho nos dizem sobre o que é mais valioso na vida, poderemos ficar deprimidos por não possuirmos bênçãos terrenas como riqueza, conforto, saúde e sucesso.

“Que o Deus da esperança vos encha de toda alegria e paz na vossa fé, para que transbordeis na esperança pelo poder do Espírito Santo.”(Rm 15:13)

A presença de Deus em Cristo colore tudo que fazemos e traz luz à nossa vida. Paulo explica que a presença de Cristo em nós é “a esperança da glória” (Cl 1.27b)

O Espírito Santo “é a garantia da nossa herança, para a redenção da propriedade de Deus.”(Ef 1.14)

Assim, porque Jesus se faz presente em nossas vidas diárias através do Espírito Santo, sabemos que entraremos na glória do céu.

O principal tema que quero deixar para o leitor através desta meditação é que a perspectiva do céu é o segredo da nossa alegria para, na verdade, toda a nossa vida aqui na terra.

Se olharmos para a vida como uma morada temporária, também não nos aborreceremos com os reverses temporários.

A perspectiva do céu nos encoraja a seguir a Jesus e também se torna o motivo para grande alegria.

Vislumbre da glória de Deus que nos espera.

Que elas possam nos influenciar mais do que o pecado, a hipocrisia a corrupção do mundo. Esse é um tema que nunca conseguiremos esgotar. Todo aquele que busca será convidado a uma vida de descobertas surpreendentes.

O centro de tudo é Jesus. Ele é a Verdade (Jo 14:6)

Vamos enfrentar muita dor enquanto servimos a Deus. Nós seremos desiludidos pelos nossos líderes. Vamos sentir tristeza, angústia, decepção, frustação e até mesmo ira, à medida que virmos aqueles em quem investimos não corresponderem às nossas expectativas.

No entanto, embora as pessoas nos desapontem, Jesus nunca o faz. Sua graça é bem maior que todos os nossos pecados (Rm 5:20) e é suficiente para cada desafio que enfrentarmos (2Co 12:19). Essa graça não apenas nos ministra, mas é a única esperança de sucesso em nosso desafiante ministério com as pessoas que fomos chamados a discípular.

Sim, a vida de serviço é uma vida que vem acompanhada de muita dor. Mas Jesus continua sendo maravilhoso. Ele é nosso herói. Assim, apesar da dor, podemos nos alegrar.

O aconselhamento e o ensino devem ser ministrados com um objetivo em vista: “para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo.”

O desenvolvimento de discípulos maduros é um processo lento, com muitos reveses pelo caminho, “Discípulos não nascem prontos; são preparados”.

As pessoas se convertem porque Cristo responde às suas necessidades, não porque queriam ser santas.

Não podemos descansar até que todos tenham alcançado a maturidade através do discipulado.

À medida que uma igreja ou um grupo de cristãos cresce, as estruturas devem ser ajustadas para assegurar que nenhum indivíduo seja negligenciado. Caso isso não seja feito, embora a igreja alegue ter crescido, ela não cresceu no sentido bíblico. Ele apenas engordou!

Naquele dia, as pessoas em quem investimos serão para nós aquilo que os filipenses foram para Paulo: nossa “alegria e coroa” (Fp:4.1)

A Bíblia fala frequentemente sobre a vergonha que nós compartilhamos com Cristo, e coloca essa vergonha à luz da honra que nos será concedida no juízo.

Se de fato soubéssemos aferir o valor de ajudar as pessoas a prepararem suas moradas eternas, veríamos que valeu a pena o custo que pagamos para fazer esse trabalho. Que a igreja possa trazer o céu e o inferno de volta ao púlpito. E que assim possa desafiar muitos a seguirem o caminho da obediência radical a Cristo e do serviço sacrificial à humanidade.

Paulo diz: “Para isso eu trabalho, lutando de acordo com a sua eficácia, que atua poderosamente em mim.”(Cl 1:29)

A vida equilibrada para um cristão não consiste em fazer “tudo com moderação”, mas em ser “obediente em todas as áreas”.

Paulo disse aos presbíteros em Éfeso: Atos 20:18,20 e 31

Ele foi capaz de aconselhar com lágrimas porque estava perto deles. Quando      nos aproximamos das pessoas conseguimos perceber as dificuldades que enfrentam e, assim, trabalhar para descobrir como podemos aplicar a verdade bíblica à vida delas.

Mas tudo aquilo que contribui para o nosso cansaço também contribuiu para a renovação de nossas forças.

Cansado, mas renovado! (Pv 3:2;8 e 4:22)

Outra coisa que devemos sempre nos lembrar é de nos afastar das atividades que não precisamos fazer. Precisamos aprender a delegar

Os líderes precisam recrutar pessoas para fazer uma parte ou até mesmo a maior parte do trabalho.

Aquele que faz o trabalho que outros poderiam fazer pode estar sendo vítima do complexo de Messias, algo não muito saudável. Ele possivelmente está buscando no trabalho a realização que deveria buscar em Deus.

Assim por mais ocupado que estivermos, precisaremos de um sabbath.

Esse período renova as nossas forças e nos ajuda a colocar as prioridades onde deveria realmente estar: no Deus que trabalha por nós.

Ora, se aprendermos a dizer não no momento em que for preciso, se nos afastarmos do que não nos convém assumir, se delegarmos com sabedoria e fielmente guardarmos o sabbath, por que ainda assim ficaremos cansados?

Deixe-me dizer uma coisa. Satanás frequentemente tenta nos atingir quando estamos cansados e precisamos estar conscientes disso. Isso é especialmente crítico quando estamos cansados por causa da pressão que sofremos antes e durante um determinado evento importante.

“A rejeição e a perseguição serão acompanhadas pela aceitação.” (Jo 15:20)