Olá. Segue mais um resumo de um livro que foi lido, neste caso pela Fran.

O Livro está baseado no livro de Atos dos Apóstolos a partir do capítulo nove, onde relata a transformação de Saulo, e após a conversão, é chamado de Paulo (Atos 13.9).
Saulo era um ponto de interrogação para as pessoas. Eram muitas perguntas para poucas respostas. Os apóstolos não receberem ele, mesmo sabendo que ele viu o Senhor. (Atos 9.26), e ainda assim não ficaram com ele, mandaram-no para Tarso.(vers. 30)
Nós também devemos estar atentos para perceber que o currículo do nosso passado pode ser muito negativo. Nem sempre o grupo nos aceita como nós gostaríamos.
Muitas vezes é o que acontece conosco. Não nos dão tempo para comprovar nossa mudança. Preferem não atentar para as reais alterações em nossa vida. Fica muito difícil demonstrar e comprovar qualquer transformação, se as pessoas não estão abertas a ver aquilo que Deus fez em nossas vidas.
Em Damasco os judeus decidiram matar Saulo, mas os discípulos o ajudaram a escapar em um cesto, por uma aberta na muralha. (Atos 9.23-25)
Saulo passará dentro do cesto por uma intensa reflexão em função de estar quebrado, inseguro e solitário. Assim quando o cesto tocar o chão terá de tomar uma atitude que mudará completamente sua vida.
Lembre-se que o que adoece uma pessoa não é o que fazem com ela. Muitas pessoas são destruídas no seu interior, não necessariamente por causa do mal que lhe fizeram, mas sim devido à sua atitude diante deste mal. O problema não é ter problemas, o problema é não os resolver.
Na vida com Cristo as dificuldades sempre virão. Por isso precisamos ter a certeza de que em todas elas, Ele cuida de nós, e que depois da tempestade vem a bonança.
Existem pelo menos três posicionamentos que podemos ter ao sair de dentro do nosso cesto:

1. ABATIMENTO
O que poderia acontecer é culpar os apóstolos, mas o importante é entender que mesmo Paulo sofrendo um processo de rejeição, como passou, é possível superá-lo e crescer com tudo isso a ponto de ser usado poderosamente por Deus, ajudando na cura de muitos que se envolvem em situações semelhantes, e que estão em cestos de adversidade.
Devemos nos lembrar sempre de que desistir não é deixar de chegar a algum lugar ou alcançar um objetivo, mas deixar de tentar. É se acomodar pelo simples fato de achar difícil.
Muitos tem deixado de experimentar algo novo da parte de Deus exatamente porque se abatem, desistindo no meio de um processo, que pode ser o mover do sobrenatural tão buscado. Geralmente, a primeira reação que vem diante da adversidade é o abatimento.
O abatimento na versão da desistência é a grande desculpa para aqueles que recusam a recomeçar.
A única saída para todo tipo de abatimento encontra-se dentro de nós mesmos. Só nos podemos vencer a vontade de não fazer nada, de não assumir a direção de nossas vidas. Buscar superar a falsa ilusão de perplexidade e estagnação; parar de pensar que não existem meios para nossa reação; deixar de nos entregar ao trauma, pois consideramos tudo como impossível.
Só nós podemos escolher o que queremos fazer com as experiências de nossas vidas, sejam elas positivas ou negativas.

2. A REBELIÃO
A rebelião é movida por um espírito que visa assumir o lugar do outro, mas sempre com a perspectiva de burlar ou suplantar a autoridade do indivíduo que detém o poder de liderar.
As frases: “quero fazer, mas não tenho oportunidades”, “trabalho muito, mas não sou honrado”, “sei fazer, mas não tenho cargo”, são posturas que fazem inflar um pseudo “novo ministério”, que na verdade não tem nada de novo, mas cuja essência vem de um comportamento muito antigo, já conhecido entre nós como síndrome de Lúcifer: “Serei semelhante ao Altíssimo”.
Acredito também existir outra vertente, de forma paralela: a comparação. Ela pode ser o primeiro indício de que estamos deixando de olhar para o nosso alvo, dado por Cristo. Quando começamos a comparar a nossa vida, seja com a de um ímpio ou de outro irmãozinho, estamos olhando muito para o lado, e perdemos de vista o nosso alvo.
A comparação nos conduz a uma análise entre o que eu tenho e o que o outro tem, o que eu faço e o que o outro faz; assim acabamos nos esquecendo daquilo que o Senhor tem para nós.
Vários casos vêm à tona de casamentos destruídos por adultério, originados pela cobiça de alguém por uma pessoa já comprometida, ou um bem valioso, um bem desejável, uma igreja muito grande. Ou seja, iniciou pela comparação entre a vida real com a vida ideal, que é a do outro, gerando assim todo o processo de rebeldia.

3. A ESPERA
As pessoas que se deparam com a rejeição ainda podem ter outro tipo de posicionamento diante da adversidade: a espera. Este comportamento é o mais difícil e doloroso, principalmente quando a espera significa, aparentemente, perder tempo.
Nada é mais ativo do que estar em Deus e nada é mais precipitado do que agir por conta própria. O ato de esperar em Deus precisa ser consciente e definitivo.
Em muitos casos, a espera é consequência da precipitação, fruto de uma ansiedade pelo mover de Deus.
Esperar em Deus é viver aguardando a realização da promessa do Senhor. Se não existir promessa, não existe espera, e sim a projeção de uma mente ansiosa, equivocada e prestes a adoecer.
Tão importante quanto a fé para ver o milagre é a fé para esperar o milagre, porque toda promessa passa pelo teste do tempo.
É no momento em que estamos sob pressão, quando estamos dentro do cesto da adversidade, que nos revelamos e que as diferenças surgem.
Eu acredito no livre-arbítrio; contudo creio na soberania inegociável de Deus, que por vezes não permite que tomemos um passo errado que vá interferir nos seus planos para nossas vidas, pois nenhum de seus planos é frustrado.

TEMPO E SUAS CONSEQUÊNCIAS
“Quanto mais tempo o lenhador investir amolando a lamina do seu machado, menos tempo passará dentro da floresta”
Em toda espera existe um tempo necessário de investimento, que resultará em consequências maravilhosas sempre que houver a cumplicidade destas realidades. Portanto, tempo e consequências andam lado a lado quando o assunto é Reino de Deus.
Sempre que algo precisa ser feito ou refeito, necessita de um lugar de tratamento. Esse é um princípio Divino. A ordem do Criador para a restauração do vaso é descer a casa do oleiro. (Jeremias 18.2)
Paulo ficou três anos recluso recebendo da parte de Deus uma nova direção para seu ministério. Como ele mesmo diz: não recebeu nem da carne, nem do sangue, mas do Espírito de Deus. O processo passado por Paulo durante esse tempo gerou a convicção do que era necessário. São consequência da dependência e intimidade adquirida com Deus neste tempo, é exatamente a convicção de que o propósito de Deus vai se manifestar em nossa vida.

Deus faz conosco da mesma forma. Pode ser em uma “olaria”, uma “caverna”, uma “cova”, um “deserto”, ou apenas em nosso próprio quarto. Em um determinado tempo, este será o seu lugar de tratamento e crescimento. Um local para onde Deus nos leva quando saímos do nosso “cesto” da rejeição. A primeira circunstância gerada em nós para a cura é o local da nossa recuperação. Será um lugar de descanso. É descanso, sim!

Deus levantará alguém para investir em você, e isso aconteceu com Paulo 10 anos depois de seu encontro com Cristo, (Atos 11.25-26).
Pois quando o Senhor começa algo, Ele termina. Nada pode impedir o seu agir. Se houver um propósito específico de Deus com você, mesmo que esteja esquecido por muitos, Ele levantará alguém para buscá-lo.
Quando esperamos em Deus, Ele gera uma pessoa que acredita e confia em nós. É alguém que realmente estará conosco, não se importando mais com o nosso “currículo”, com as marcas do nosso passado, ou com o que podemos lhe oferecer.
Deus separa pessoas especiais para estarem conosco em momentos especiais.
Quando Deus cria essa pessoa, ela independe de ter um conhecimento sobre minha pessoa. Não precisa saber minha intenção, desconhece minha história e ignora a possibilidade de retorno ou vantagens. Simplesmente ela chega e nos acolhe e nos aceita, movida somente pela compaixão liberada pelo Espírito Santo.

Outra consequência é gerada de um ideal em sua vida. Algo muito sólido, tão forte que estará marcado em seu corpo. Deus confirmará esse direcionamento para sempre em sua vida. Pode custar o tempo que for, mas este dia chegará, assim como chegou para o apóstolo. Lemos isso em Atos 13.1.
Graças a paciência de Paulo para esperar o ideal de Deus, dezesseis anos depois ele é enviado para a obra a que fora chamado desde a sua conversão. Somente anos depois Deus confirmou o ideal que havia brotado no seu coração.
Agora Paulo é oficialmente um missionário, ordenado diretamente pelo Espírito Santo, escolhido no meio da igreja de Antioquia.
O ideal não se molda de uma hora para a outra. Ele é fruto de uma construção que supera a barreira do tempo.
Na hora da dor ou da perda, o que nos sustentará será o ideal. Sem ele, um soldado abandona a guerra por causa da morte do amigo ao seu lado. Por isso, que o Apóstolo Paulo mesmo diz: “Tudo posso naquele que me fortalece”(Filipenses 4.13)
Precisamos de um ideal, se não viveremos somente de idéias.

O IDEAL E AS CRISES
Uma coisa é servir a Deus e outra coisa é servir na obra dEle. Muitas vezes ficamos presos na mecânica de Sua obra, que nem sempre é sinônimo de serviço à Deus. Ele conhece a motivação do nosso coração. Às vezes é mais importante estar aos seus pés, mesmo no interior de um quarto, do que executar algo religioso para impressionar outras pessoas.
Como exemplo lembramos da história de Marta e Maria (Lucas 10.38-42). Quando estamos diante do amado, a melhor parte não é fazer algo para Ele, mas estar com Ele.
Devemos ter a sensibilidade de sermos obedientes a Deus, pois Ele nos indicará o momento e o local para desempenharmos a missão que Ele nos determinou.
Por isso, precisamos estar em sintonia com o Senhor, e estar sempre atentos a sua nova ordem, pois a qualquer momento Ele pode muda-la. Pois o melhor do que a direção de Deus é a última direção de Deus.
A grande questão é sempre se colocar atento a última ordem do Senhor. É manter-se atualizado no seu querer, pois é Ele que é o Soberano.
Toda conquista no mundo físico primeiro tem de ser conquistado no mundo espiritual. É preciso ser publicado antes no ‘jornal do mundo espiritual’.
Na vida de Paulo, entendemos que nem sempre a recompensa será uma coroa de flores, um troféu ou conquistas, como esperamos por termos desenvolvido plenamente a missão. Precisamos crescer como Paulo. A maior aprendizagem que ele teve foi a visão desprendida em adorar a Deus.
A percepção de aprovação deve estar desconectada dos resultados. Assim, como o próprio Paulo diz: “Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.” (Filipenses 4.12)
Mediante as adversidades que enfrentamos, precisamos entender que a pior perda não é a que está por fora, mas aquela do interior.
O grande milagre do evangelho de Cristo para as coisas acontecerem em nossas vidas está em colocarmos em prática o que ouvimos dEle. Ao contrário do que muitos pensam, nossa prioridade não deve estar nas execuções ativistas, no desejo da ausência de obstáculos, no achar que simplesmente ouvir e reter a solução. Isso tudo será inútil se não fizermos nosso grande trabalho: que é praticar suas palavras.
E praticar, não é somente oferecer um colchão, mas oferecer com Ele o descanso de palavras confortadoras em meio ao tempo de cansaço.
Eu não posso viver dentro do padrão de todo o mundo. Tenho de andar no padrão que Deus tem para mim.

REJEITADO A ENDEUSADO
No capítulo 14 do livro de Atos do verso 8 ao 18, Paulo, antes rejeitado, agora recebe uma adesão extrema, a aceitação coletiva tão desejada pela maioria dos seres humanos, chegando a ser ovacionado pela multidão. É reconhecido como um deus. Todos o viam como uma absoluta autoridade espiritual.
Então ao chegar a cidade de Listra Paulo faz um milagre de forma espetacular, de longe grita para um paralítico, e ele salta e começa a andar. E este ato desencadeia enormes consequências na multidão.
Não é difícil entender que o Senhor não queria só curar aquele homem, mas também trabalhar algo muito maior na vida de Paulo, prepara-lo para as ilusões dos homens e a aceitação da massa.
E estas foram as declarações dos moradores de Listra: “os deuses em forma de homens baixaram até nós.”
Se o desafio é buscar ser igual a Deus, corremos o risco de as pessoas nos confundirem com Ele e cabe a nós mostrar-lhes as diferenças.
Renunciar a aceitação é um risco que corremos quando procuramos fazer a vontade do Pai. Quando buscamos ter um coração puro e reto no Reino, certamente seremos alvo das lentes das câmeras fotográficas de um coração carente e necessitado de referências, como era o povo de Listra.
Devemos ter em mente que algo tão difícil quanto ser rejeitado é rejeitar a aceitação equivocada.
Paulo diz que é igual ao povo. Ele renuncia a aceitação religiosa identificada por outro nome: adoração. Paulo se pôs no lado mais simples e real. Colocou-se junto deles como homem, e não permaneceu no pedestal criado pelo povo. Ficou no meio deles para deixar claro que eles deveriam começar, assim como ele, a se voltar para o Deus Todo Poderoso, pois este sim é merecedor de toda a honra e de toda glória.
A maior evidência da santidade de uma pessoas se manifesta quando ela não tem crise de expor a sua humanidade. Assim Paulo diz: “Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões” (Atos 14.15)
A melhor e única estratégia para vencer este adversário, que não se vê, mas se sente, é fazer o que Paulo fez: “rasgar as nossas veste”. Usando uma linguagem mais atual , devemos arregaçar as mangas” da camisa num ato de indignação.
A única possibilidade de vencermos a idolatria é possuirmos um ideal maior do que ela.
Jesus é o noivo e a igreja é a sua noiva. Quem usufrui e corteja a noiva é Jesus, mas muitos líderes (que também são parte da igreja) querem se aproveitar da noiva. E isso é adultério teológico-espiritual.
Paulo é um pequeno gigante que carrega em si um grande poder de superação diante dos obstáculos e resistências entre a rejeição. Em 2 Coríntios 4.17 ele declara: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso de glória”.

O APÓSTOLO DA SOLIDÃO
Independente de toda conquista vitoriosa e espetacular experimentada por Paulo em sua carreira, durante toda sua vida com Cristo ele convivera com a solidão.
Paulo diz: ”acabei a carreira”. Em outras palavras comunica a Timóteo e outros seguidores que vêm depois dele, para dar continuidade, pois ele cansou.
Por maior que seja a glória, poder, unção, bênçãos ministeriais, nós somos de carne e osso e esse tipo de cansaço não há como evitar; é preciso aprender a conviver com ele e superá-lo a cada dia, e será impossível não reconhecê-lo no caminho.
Se formos sinceros, admitiremos a existência dessas solidões entre pastores, líderes, familiares e igrejas, porque são experiências totalmente distintas.
O fato de existir incompreensão quanto ao seu apostolado nos leva a pensar na solidão do seu chamado. Não quero dizer que Paulo vivesse em um isolamento ou abandono. Pelo contrário atraiu muitos para seu lado. Mas a questão era na alma, níveis que ele alcançava e absorvia das coisas do Reino, que guardava para si, que não tinha como compartilhar, pois correria o risco de ser mal interpretado.
Existem níveis de experiências que o Senhor permite a algumas pessoas que são incompartilháveis.
Paulo experimentou a solidão na sua Missão, pois era diferente, sendo igual. Ele foi usado para decodificar, traduzir a mentalidade de Cristo e converter em doutrinas que serve de base, hoje, para toda a teologia da igrejas evangélica no mundo inteiro.
Paulo experimentou a solidão familiar, assim é possível que na ida para alguma viajem não ficasse o sentimento da dor de uma saudade deixada para trás, mas na volta não havia braços para recebe-lo, nem filhos para beijar, presentes para dar ou história para compartilhar.
De fato, em nossa caminhada, às vezes, na hora da crise a única coisa que temos é a convicção do chamado.
Paulo também experimentou a solidão intelectual, pois tinha um perfil acadêmico, cultural, educacional alto, certamente era autodidata. Todo exclusivismo desencadeia um tipo de isolamento. Quanto mais se sobe mais diminui a possibilidade de se compartilhar o mesmo nível com outros.
Bem, de nada adiantaria ter tanta formação intelectual se não tivesse a capacidade de conviver com aqueles que não possuem a mesma experiência.
Assim também, Paulo experimentou a solidão experiencial. E essa solidão é mais uma vertente. Penso ser esta a que mais exigia desse nosso irmão. Quando temos uma experiência com o Senhor, logo procuramos alguém para edificar. Paulo nem sempre podia compartilhar o que experimentava.
A grande lição está em mostrar que os pecados de Paulo não estavam nos atos, nos procedimentos externos, mas nos pensamentos e sentimentos do mundo interior. Toda guerra de Paulo existiu no campo da mente, que é onde tudo se passa e acontece.
E Paulo termina como começou, tanto no caminho de Damasco como em um quartinho em Roma: um solitário na presença de Jesus.

CONCLUSÃO
Acredito que a rejeição seja um dos maiores problemas no relacionamento humano e isto ganha uma proporção incomensurável no seio da igreja de Jesus. De um jeito ou de outro, nós não podemos fugir: a rejeição é uma realidade em nossas vidas.
Porém aprendemos com Paulo. Quando sofre este descarte, opta por não se abater nem se rebelar, antes preferiu esperar no Senhor e na sua provisão.
Quando atingimos a dimensão do ideal em Deus de forma inegociável, alcançamos também a maturidade para distinguir a vontade de Deus, independentemente de nossa satisfação pessoal.
E nas experiências de Paulo, entendemos o estágio de desapego atingido por ele. No exercício da renúncia é que nasce a liberdade. É quando nos tornamos livres das nossas próprias cadeias, que são nossas vontades em prol da vontade do Senhor.
Que, por intermédio deste livro, você possa agora refletir e vencer o cesto da adversidade em sua vida e decidir se vai ficar indiferente ao grupo ou vai fazer a diferença nEle.