Uma igreja local pode mandar seus missionários para o exterior? Sim, porem já houveram muitas experiências imprudentes que causaram mais danos do que trouxeram benefícios para o Reino de Deus e para as pessoas envolvidas individualmente. As frustrações experimentadas por algumas igrejas locais poderiam ser evitadas pelas agencias missionarias. Segue alguns pontos importantes:

1. Avaliemos a motivação para enviar missionários diretamente ao campo. É por orgulho, desejo de aumentar o “império eclesiástico” ou um desejo de provar que somos capazes de fazer? Infelizmente aqueles que fazem isto raramente são estudiosos da história de missões, até mesmo rejeitam o passado como ‘fora de moda’, e vendo os novos padrões como ‘do Espírito Santo’, contudo condenados a repetir os trágicos erros do passado. É esta a direção clara de Deus?
2. Existem na igreja habilidades transculturais e experiência para selecionar candidatos, prepará-los para o campo, dar conselhos adequados, suporte e cuidado no campo? A maioria das igrejas que tentaram seguir este caminho terminaram decepcionadas e frustradas porque os dons disponíveis não eram adequados às exigências. Missionários enviados direta mente pela igreja
normalmente recebem treinamento na igreja base. Mas, esse treinamento tem a qualidade e a dimensão necessárias para o mundo de hoje? O treinamento missiológico é complexo e importante.
3 Existe na igreja uma estrutura de missões independente com sua própria liderança e compromisso com o empreendimento? Sem isso o envio certamente será um fracasso. Enviar missionários hoje é uma operação altamente complexa: informações, vistos, viagens, contatos com outros grupos cristãos no campo, cuidado pastoral e e supervisão em meio mundo. Existe, então, a necessidade pesquisa no campo, desenvolvimento de estratégias viáveis e planejamento de eclesiologia. Tudo isso precisa de tempo e perícia. Poucas igrejas se sentiriam confiantes ao lidar com tudo isso.
4. O campo futuro foi pesquisado adequadamente? Temos hoje pouquíssimos países e povos no mundo no qual não esteja acontecendo nenhum contato cristão. A necessidade de mandar missionários apóstolos para onde não existe igreja deveria ser prioritária. Muitos esforços em enviar diretemanete tem sido um pouco maiores do que a visita e um país onde a língua inglesa é bastante usada (menos necessidade de aprender línguas ou culturas) e onde já existem várias igrejas. A “missão” se torna uma redistribuição de santos, que se tornam seguidores de um império de igrejas estrangeiras, algumas vezes, com levantamento de fundos para intensificar a redistribuição.
5. Houve colaboração adequada com outras agências cristãs do país e no exterior? Os dias do missionário pioneiro solitário, ou da equipe apostólica, isolada já se foram. A maioria das partes menos evangelizadas do mundo não esta nas cidades grandes, onde normalmente existem cristãos nativos e estrangeiros já ministrando. O envio direto só será efetivo e sobreviverá para a maioria dos missionários se existir no campo um acordo de responsabilidade com outros missionários, normalmente de outras agências.
6. Que tipo de igreja tem a visão? As igrejas que enviam diretamente
são, em geral, as menos sensíveis culturalmente em implantar igrejas em outro país. Normalmente existe o forte desejo de reproduzir os padrões da igreja enviadora, com todas as suas fraquezas teológicas, padrões de adoração, versões da Bíblia consideradas corretas, estilo de I ide rança e atitudes sobre as mulheres, vestimenta, uso do tempo. Tudo isso poderia ser no máximo irrelevante e, na pior das hipóteses uma ofensa à cultura local.
7. Quanto controle é exercido por parte da igreja base no desenvolvimento diário do ministério? A autonomia de ação que Paulo e Barnabé, William Carey e Hudson Taylor buscaram e
esperaram é ignorada. A lição de centenas de anos de história de missões e de experiência é rejeitada.